Fabio Mestriner
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MAIO/2026

ARTIGO POR FABIO MESTRINER

A Pergunta do dia dos Profissionais para a IA


O Ecossistema de embalagem é extremamente complexo e multidisciplinar, as perguntas feitas para a IA devem servir principalmente para se aprender mais sobre o que fazemos





Sou professor e Pesquisador na disciplina de embalagem e há dois anos estou trabalhando como curador de conteúdo da IA Inteligência de Embalagem 5.0 desenvolvidas dentro do programa Activate da Amazon AWS. Este trabalho me levou a pesquisar intensivamente dia a pós dia para construir a base de conhecimento da IE 5.0 o que acabou se transformando numa jornada de descobertas e aprendizados que me fizeram compreender que o ecossistema de embalagem é muito maior e mais complexo do que eu imaginava quando iniciei este trabalho.

A embalagem não é uma área estática. Ela vive no cruzamento de várias forças que se transformam continuamente: novos materiais (biopolímeros, mono-materiais recicláveis, barreiras à base de celulose), nova legislação (responsabilidade estendida do produtor, restrições a plásticos de uso único, rotulagem ambiental), novas exigências do consumidor (sustentabilidade, conveniência, transparência), novas tecnologias de processo (impressão digital, embalagem ativa e inteligente, automação) e novas pressões de custo na cadeia (resinas, papel cartão, logística), exigências regulatórias cada vez mais rígidas e coercitivas em permanente transformação.

Quem para de acompanhar a evolução desse ecossistema da embalagem, fica obsoleto rápido — porque o que era válido como boa prática há cinco anos pode hoje ser inadequado do ponto de vista regulatório, ambiental ou competitivo.

Pesquisas em educação de adultos (Knowles, Kolb, Schön) mostram que o profissional aprende quando confronta uma situação real com uma pergunta genuína. Não é o curso que ensina mais, é a dúvida bem formulada diante de um problema concreto que gera aprendizado prático.

Perguntar é o mecanismo básico de aprendizagem do profissional antenado, adaptado às mudanças e a evolução do setor onde atua

Embalagem é interdisciplinar, ninguém domina tudo sozinho, um projeto de embalagem envolve química de materiais, mecânica, design gráfico, marketing, logística, legislação sanitária, sustentabilidade, custos, máquinas de envase, comportamento do consumidor e shopper marketing. É humanamente impossível dominar todas essas áreas com profundidade. A pergunta diária é o que conecta o profissional aos colegas que sabem o que ele não sabe, ao engenheiro de processo, ao comprador, ao designer, ao técnico do fornecedor de filme, da tampa, do rótulo, ao analista de qualidade aos assuntos regulatórios e assim por diante, cada um carrega uma peça do quebra-cabeça.

Quando o profissional vai além das perguntas operacionais do dia a dia e amplia seu universo de questionamento e passa a perguntar "o que mudou no mercado onde atuo?", "que habilidade está sendo mais exigida agora?", quais são as perspectivas da empresa onde trabalho, do setor onde atuo e da minha carreira, ele faz duas coisas simultaneamente:

  • Mapeia o presente — entende onde está e o que é valorizado hoje.
  • Projeta o futuro — identifica para onde a profissão caminha (por exemplo, especialistas em circularidade, em LCA — análise de ciclo de vida —, em design para reciclagem, em compliance regulatório estão mais demandados que há cinco anos).


Sem perguntas, a carreira anda no piloto automático e o profissional pode descobrir tarde demais que o mercado evoluiu e mudou de direção sem que ele percebesse.

O que aprendi na minha jornada como pesquisador e curador de conteúdo de IA para embalagem, é que a principal contribuição dela para os profissionais deste setor, não é apenas resolver problemas e executar tarefas mais rapidamente, existe uma grande discussão nos meios acadêmicos sobre o futuro da IA e o impacto que ela terá em nossas vidas e já se sabe que com o uso da IA as pessoas vão saber mais e não menos. Os profissionais que fazem uso regular da IA, formulam perguntas e exploram novas áreas do conhecimento, vão aprender mais sobre aquilo que fazem, o segmento em que trabalham e assim por diante…

Quando entendi isso e percebi os efeitos do trabalho de pesquisa que estava fazendo, passei a incluir no meu dia a dia perguntas feitas com o objetivo de ampliar meu conhecimento sobre áreas e aspectos da embalagem que eu não conhecia e com isso, continentes inteiros passaram a ser descobertos a partir de uma simples pergunta e foram sendo desbravados conforme avançava com novas perguntas exploratórias.

O passo seguinte foi inc0rporar na minha rotina um hábito que chamei de “A Pergunta Diária” e a primeira coisa que fiz foi pedir para a IA me fornecer uma lista de perguntas diárias de estudo da embalagem para os próximos 6 meses. A lista que a IA me apresentou serve de guia de estudo e aprendizado e de motivação para não esquecer de fazer uma pergunta diariamente com um objetivo simples e objetivo: “Aprender mais sobre o ecossistema da embalagem”.

Uma pergunta por dia pode parecer pouco, mas são cerca de 220 perguntas por ano útil e cada uma puxa um fio: uma conversa, um link, uma leitura, um contato, uma observação. Esse acúmulo gera o que diferencia o profissional que quer saber mais e aproveita o impulso facilitador gerado pela IA com o vasto conhecimento que ela oferece a partir de um prompt, daqueles que julgam saber o suficiente e não se interessam em saber mais sobre aquilo que não sabem. A densidade das respostas oferecidas pela IA é uma benção para aqueles que desejam estudar, conhecer e aprender mais.

Eu gosto de começar um caderno toda vez que inicio um novo projeto ou uma nova atividade, uma pergunta por dia, registrada com data, contexto e quando possível uma nota sintética sobre o que a resposta trouxe fornece um roteiro da jornada, um mapa do caminho percorrido e ao final do semestre, este caderno se transforma num documento pessoal que mostra concretamente como o conhecimento se constrói por acumulação de curiosidade dirigida. É um exercício simples e tem efeito formativo duradouro.

Perguntar é humano!


Cada um pode adotar o método que melhor lhe agrade, com o tempo as perguntas vão se tornando melhores porque o exercício diário nos ensina como fazer perguntas e esse é o fator fundamental para obter respostas melhores. O método Aristotélico há mais de 2 milênios nos ensina que para se ter uma resposta, primeiro precisamos ter uma pergunta e a IA nos trouxe a necessidade de Prompts para se obter o fabuloso conhecimento que a Digitalização copilou, a Internet disponibilizou e os Algoritmos agora processam de uma forma que antes era apenas um sonho das mentes mais avançadas.

Minha mensagem com este artigo é: façam perguntas sobre embalagem, sobre o trabalho que executa, sobre as perspectivas da sua carreira, da empresa onde trabalha, do setor onde ela atua e sobre o futuro da embalagem, as tendências de consumo, a evolução da tecnologia e da ciência que faz funcionar o gigantesco, multidisciplinar e altamente complexo ecossistema de embalagem.

A Inteligência de Embalagem 5.0 da qual sou o curador de conteúdo, oferece acesso gratuito a todos os profissionais de embalagem do Brasil, sendo uma fonte de conhecimento construída com dados qualificados e de fontes confiáveis: https://www.packaging.ia.br


Professor Fabio Mestriner
Designer Professor e Escritor


Curador de Conteúdo da Inteligência de embalagem 5.0 https://www.mestriner.com.br


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